
Alessandra Francisco
Advogada e mestranda em sociologia, pesquisa lideranças femininas em perspectiva amefricana.
Nascemos do encontro entre trajetórias que carregam cultura, memória e território negros.
Somos o Coletivo Ayê.
Ayê é terra. O sumo, o substrato, o que enraiza, dá sustentação. Terra que transmuta o que foi, para alimentar a vida que é agora.
Ayê é a dimensão onde a ancestralidade para de ser lembrança para se tornar recomeço em nós. É onde a história não se rompe porque nunca foi linha — foi sempre círculo, fluxo, contínuo.
Escolhemos esse nome porque ele diz de onde vem a memória que carregamos e para onde estamos indo.
Estamos construindo esse espaço coletivamente com os territórios que nos entregam seus saberes, suas histórias e a benção para pisar o seu chão.
Ayê é o plano terreno onde a ancestralidade se encontra com o presente. É aqui. É agora. É essa encruzilhada de saberes.
Somos um contínuo: de corpos que resistiram, vozes que não se calaram, de territórios que se recriaram sempre que tentaram apagá-los.
Nossos quilombos dançam nas rodas de samba, nos clubes sociais negros. Rezam nos terreiros. Existem nas periferias e nas universidades, nos palcos e nas pesquisas, nas ruas e nas memórias que ainda não foram contadas.
O Papo de Quilombo nasce para escutar essas vozes. Para multiplicá-las. Para registrá-las.
Não falamos sobre a comunidade negra. Falamos com ela. A partir dela. Para ela.
Acreditamos que a palavra falada é tecnologia — a tecnologia da oralidade, da roda, do círculo.
Somos filhas e filhos daqueles que fizeram a longa travessia transatlântica. Somos herança dos que aqui chegaram, carregamos o sangue dos que se libertaram em orun.
Este é o nosso quilombo.
Somos o Coletivo Ayê.
Um videocast sobre o Sul negro que poucos conhecem - cultura, memória e os territórios negros da cidade. Aqui, a história é contada por quem a vive: clubes sociais negros, escolas de samba, terreiros, em conversa que honra o que cada território deseja transmitir.
Entra na roda.

Há uma solidão que muitos de nós conhecemos bem. A de saber que existe um rosto ancestral que o conectaria à sua história e não conseguir alcançá-lo.
De saber apenas que nossos ancestrais vieram de África, sem país, sem povo, sem nome. A escravidão sequestrou origens, línguas, religiões e linhagens, e deixou uma grande sombra onde deveria haver uma história.
O Coletivo Ayê nasceu também dessa ferida. E da vontade de não carregá-la sozinho. De buscar, junto, os fios que ainda resistem nos terreiros, nos quilombos, nas escolas de samba, nos clubes sociais negros, nas memórias dos mais velhos.
Não temos todas as respostas. Mas temos a disposição de fazer essa viagem. E queremos fazê-la com você.

Advogada e mestranda em sociologia, pesquisa lideranças femininas em perspectiva amefricana.

Bacharel em Direito, mestranda em Sociologia e pós-graduanda em Direito Previdenciário.

Ator e contador profissional.

Doutorando e mestre em Educação UFRGS e bacharel em Artes Visuais pela FURG.

